segunda-feira, 21 de junho de 2010

Sabão de cinzas, primeiro sabão do mundo.

A história do sabão de cinzas se confunde com a história dos tempos.
Foram encontrados registros em documentos da época em que se escrevia em papiros, tão antigos quanto ao despertar do homem  para a Divindade, quando oferecia animais nos altares de sacrifício.
Sim, mas vc pode me perguntar o que tem isto a ver com o sabão de cinzas?
Tudo a ver, eu te respondo, porque o resultado da mistura das cinzas com a gordura dos animais que caía dos altares nada mais era do que sabão!


Os egípcios foram os primeiros a notar que aquela pasta formada neste processo, servia para passar nos cabelos. Porém muito mais tarde é que se descobriu que servia para tirar a sujeira das roupas e objetos. Muito tempo depois, começou-se a utilizar a cinza vegetal, rica em carbonato de potássio e gordura animal, para produzir sabão.


Na verdade o sabão não foi "descoberto", ele foi  surgindo entre os povos gradualmente, como que em "ressonância mórfica", de misturas de materiais alcalinos e matérias graxas.
O aperfeiçoamento no processo de fabricação foi surgindo substituindo as cinzas de madeira pela lixívia rica em hidróxido de potássio e obtida acrescentando água na mistura de cinzas e barrilha. Com a adição da barrilha descobriu-se que o sabão adquiria dureza e não ficava mais como uma pasta.
Até aí ninguém pensava que o sabão fosse resultado de uma reação química.
Foi quando Chevreul, um químico francês, mostrou que a formação do sabão era na realidade um processo químico.
Em 1792, o químico francês Nicolas Leblanc conseguiu obter soda caústica do sal de cozinha e amônia. Pouco depois, criou-se o processo de saponificação das gorduras, o que deu um grande avanço na fabricação de sabão com a escolha de matérias primas mais elaboradas e repassadas pela indústria. Chega até nós como o conhecido sabonete, que vem do francês, savonnette, ou sabão perfumado, cortado em pedaços menores.
Não vamos nos aprofundar no processo da indústria saboeira, vamos nos ater ao sabão de cinzas e como podemos ver, se perde nas brumas do tempo.
Este sabão foi relegado ao esquecimento devido ao processo artesanal de produção e a facilidade de se adquirir hoje em dia um sabonete pronto, industrializado, perfumado e embalado em papel delicado.
E as cinzas, é algo raro e difícil de obter modernamente depois do uso do fogão a gás, mas ela pode ser obtida na zona rural, através da queima de madeiras que contenham bastante potássio. 
Antes as nossas avós usavam os "barrileiros" que segundo uma metodologia completamente artesanal, furava-se buraquinhos em uma lata que era suspensa em uma espécie de giral de madeira, e em baixo colocava uma bacia ou um tacho de cobre ou zinco. Não podia ser de aluminio para não reagir com a potassa, ia colocando cinza e molhando, socando com uma mão de pilão para acomodar bem a cinza. Depois começa o processo colocando água aos poucos, e mais água sempre que aquela outra escoava. O primeiro líquido apurado era mais fraco, sendo que os seguintes eram mais concentrados, até adquirir uma cor marrom bem escura, onde posteriormente era utilizado para fabricar o sabão.
Hoje em dia esta técnica pode ser simplificada, fervendo as cinzas em um tacho e depois deixar decantar e coar o produto extraido, que é a potassa pura.
O grande problema porém era a concentração exata da potassa que era impossivel medir, sendo que o sabão deveria ser testado durante o cozimento. Era testado com a língua e se tivesse picante na lingua é porque ainda tinha potassa passando, e voltava para o fogo. Este tipo de sabão exigia uma cura mínima de 3o dias, para ser utilizado.


Preciosidades assim ainda podem ser produzidas com uma boa dose de paciência e dedicação pelo que se faz. Atualmente utiliza-se matérias primas vegetais no lugar do velho sebo ou banha, balanceando a potassa e a soda para medidas compatíveis com a receita. Esperando amornar a massa saponificada, pode-se acrescentar essências perfumadas, ou ervas aromáticas , para que o sabão possa ser utilizado no banho.
Este sabão é bastante nutritivo para a pele, conservando toda a glicerina no processo de saponificação, e os nutrinetes básicos contidos nas ervas e aditivos que se queira acrescentar, além de ser exelente desinfetante.


Eis aí o passado redivivo, na memória dos que cultivam as belezas mais simples da vida, permitindo assim uma reconstrução desta tradição em bases sólidas. Assim é o sabão, feito uma fenix renascido das cinzas, alçando vôos mais altos rumo a sua valorização no futuro.

8 comentários:

  1. Parabéns Gracinha, a postagem está perfeita e elucidativa, os brasileiros precisam dessas informações que são os degraus de uma cultura esquecida na Europa, basta que lhe encontrem aqui e sempre saberão mais.
    Beijos a todos, Marcus.

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  2. Oieeeeee... Eu estive aqui e gostei!!! BJSSSSSSSSSS

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  3. Me lembro que minha avó tinha um depósito de cinzas e me lembrava dela mexendo sabão num tacho enorme e que as crianças eram proibidas de ficarem por perto. Esses dias, inventei de fazer sãbão com òleo de cozinha usado e me lembrei do sabão de cinzas...e onde acabei caindo no teu blog e relembrando como era feito...Valeu a retrospectiva. Um abraço.

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  4. BOA NOITE,
    É UM PRAZER ENCONTRAR PESSOAS COMO EU QUE AMAM FAZER SABONETES .....

    ABRAÇOS

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  5. Vi sabao de cinzas de sete ervas da costa africana. Na embalagem nao consta a procedencia, fabricante, quimico responsavel data de fabricacao , data de validade. Da para confiar?

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  6. Olá, gostaria de saber como faço para adquirir o sabão de cinzas!!!

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